Género musical brasileiro que surgiu da Bossa Nova e que em 1964 representou a força da cultura contra o regime militar. A caraterística mais destacada deste género musical é a amplitude da sua diversidade, em particular, devido às mais diversas misturas de estilos e tendências que foi assimilando no seu género ao longo de décadas. Ritmos como o rock, soul, samba, música pop e artistas famosos como Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso e Marisa Monte e muitos outros, enriqueceram gradualmente a música popular brasileira.
A marca do nacionalismo
A música popular brasileira começou por ser uma música de protesto que transmitia um sentimento fortemente nacionalista. Por essa razão, muitos dos seus cantores sofreram episódios de censura. Ainda assim, a sua sonoridade suportava e prestava serviço a esse movimento renovado de contestação. Ao longo da sua evolução, ela adquiriu uma diversidade sem igual, que é hoje muito apreciada e que faz parte da cultura de qualquer brasileiro. No seu percurso evolutivo, passou pela tradição musical urbana carioca onde o choro e o samba se encontram como símbolos da identidade nacional. De entre muitos outros Tom Jobim se destaca como um dos maiores talentos da música nacional. Esta abrangência não deve ser confundida por um estilo musical que por si só, representa a globalidade da música do brasil, ela é apenas um dos muitos géneros musicais presentes no país.
MPB: Cultura de um País
Todas essas vertentes tornam a música popular brasileira representação vital da cultura brasileira. A sua importância é incontestável pois o seu contributo para a proteção de toda uma história que resultou da fusão de variadas identidades culturais está reconhecido. A influência da música popular brasileira é encontrada em todo o mundo, e pode portanto ser assumida como figura da gente do brasil. Não existe melhor forma de transmitir a história e identidade de um país do que pela música. Toda a música popular brasileira traz consigo uma história, um amor, revindicações políticas, ou o simples quotidiano do Brasil.
Foto: Isaxar – Fotolia
Tentar falar da música brasileira como um estilo ou classificar como um género musical seria um erro, dado existir uma grande variedade de movimentos musicais que se foram formando ao longo da história brasileira, resultando das diferentes fases de colonização. No entanto, facilmente é mundialmente reconhecido que quando se ouve samba, bossa nova, pagode ou MPB, só para mencionar alguns dos principais movimentos musicais, é logo associado como fazendo parte da cultura brasileira.
O estado atual da música brasileira, em particular as suas letras, é um tópico que vem suscitando muitas discussões e opiniões contraditórias. Para uns, acreditam que se atingiu o patamar mais baixo em termos de qualidade, e que atualmente se vive uma espiral de decadência; para outros, tudo não passa de falta de abertura e aceitação, típica resistência humana gratuita a tudo o que é novo, e que tal como antes se continua produzindo boas letras. Qualquer que seja a opinião, o fato é que a sonoridade brasileira continua bem presente e refletindo a época, o momento e as influências sobre o Brasil, como sempre fez ao longo da história da sua evolução.
Não é possível falar sobre a identidade do Brasil sem referir a pluralidade da sua música, da sua importância na formação de cada indivíduo e do seu contributo na união da sociedade brasileira e na globalização da sua cultura.
Celebração cultural da música folclórica de raízes afro-brasileiras, o Maracatu, é o cortejo da antiga corte real Africana repleto com todos os seus personagens. O Maracatu, antes de qualquer outra coisa, foi a forma encontrada pelo povo africano trazido para o Brasil nos braços da escravatura, de manter intata as suas hierarquias, títulos e a sua identidade. As raízes do maracatu estiveram ao longo de toda a sua evolução, e estão ainda, bem presentes nesta música que representa um marco incontornável da história do Brasil.
O termo Caipira surgiu da fusão entre o índio e o branco. Atualmente essa denominação está associada à ideia de uma figura estereotipada de um indivíduo que não fala corretamente, muitas vezes ridicularizada e objeto de gozação. Na realidade o “Caipira” tem ainda uma grande parte de índio, uma espécie de cultura livre, daí a sua profunda ligação à terra, às lendas e mitos e a sua música caracteristicamente rural, que quase sempre é um sentimento partilhado ao som de uma viola.